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Os sentimentos que nós libertamos 🏳️‍🌈

Eu nem sempre conto tudo que eu sinto. 

    Por muito tempo eu guardei as coisas que eu sentia para não machucar as pessoas, porque às vezes as pessoas não são o que elas imaginam e não sabem ouvir isso.

    Acho que as coisas começaram a sair mais quando me juntei com Duda e Renan e começamos a contar as histórias das nossas vidas. Naquele dia eu descobri muitas coisas que eu não sabia sobre os meus amigos e, mesmo com abertura, não consegui contar tudo que eu queria. Então, eu comecei a escrever aqui no começo desse ano.

    Eu poderia contar um monte de coisas, mas vou começar de onde eu acho mais apropriado: quando eu me descobri gay.

    Outro dia eu tive que ouvir do meu irmão que sou menos homem do que ele e meu pai por ser gay e isso me machucou muito. Ainda mais por conhecer outros LGBTQIA+ e saber como essa trilha de autodescobrimento é difícil e solitária. Isso me fez refletir bastante o quanto eu sou sortudo por ter amigos que me apoiam e alguns familiares que me aceitam.

    Tudo começou em 2016. Eu tinha 15 anos e estava no primeiro ano do ensino médio. Esse ano estava prometendo muito. Eu tinha passado os dois anos anteriores apaixonado platonicamente por uma menina, que não queria nada comigo. 

    Até aí tudo bem. O ano começou com a festa de 15 anos da Mavi, que eu me diverti bastante e vi pela última vez alguns amigos que tinham mudado de escola. Hoje em dia, os únicos amigos que eu levo da escola são Duda, Renan e Vitor. Naquela época era pior. Ninguém fazia questão de manter amizade comigo e eu nunca entendi isso.

    Enfim, essa menina não iria voltar e eu poderia me livrar dessa paixonite e partir pra próxima. 

    Eu chegava na escola uns vinte minutos antes de bater o sinal para as aulas começarem e sempre ia sentar em um banco que ficava no corredor para ver um menino entrando e eu não entendia o porque. Alguns meses passaram e, em um dia aleatório, eu me dei conta que estava gostando dele. De repente, uma chave virou na minha cabeça e tcharan eu gosto desse menino. Simples assim. Mas acho que não é assim com todo mundo.

    Guardei isso comigo até as férias de julho. Eu escrevi vários poemas para ele e, quando as aulas voltaram, decidi me aproximar. Eu não tinha nada a perder. Me aproximei de algumas amigas dele (Sara, Vitória, Marta, Luna, Camila), tentando conhecê-lo, mas nunca deu certo. O suprassumo das minhas ações foi quando pedi para a prima de um amigo meu (Ellora) ler o poema que eu fiz para ele na Mostra Cultural da escola na frente de todo mundo, inclusive ele.

    Enfim, a história para por aí. No ano seguinte ele tinha ido embora e eu segui em frente, mas fiz ótimas amizades por causa disso e passei por coisas que eu tenho certeza que todo mundo passa no ensino médio, só que diferente, por ser LGBTQIA+ a gente tem que fazer tudo isso, mas com cautela, enquanto os héteros conseguem praticar sua sexualidade com mais abertura.

    Eu sinto que contar isso é importante. Foi essa busca por esse “crush” que me fez tomar consciência aos poucos do que eu estava sentindo e que isso era válido. As outras pessoas validaram conforme eu falava com elas, mas eu também validei por causa disso. Todos os sentimentos são importantes e eu precisei cultivá-los e foi bom. Hoje, eu sinto que estou mais pronto para ser direto com os caras que eu me interesso.

**Texto originalmente escrito em 21 de janeiro de 2023.

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