Eu nem sempre conto tudo que eu sinto. Por muito tempo eu guardei as coisas que eu sentia para não machucar as pessoas, porque às vezes as pessoas não são o que elas imaginam e não sabem ouvir isso. Acho que as coisas começaram a sair mais quando me juntei com Duda e Renan e começamos a contar as histórias das nossas vidas. Naquele dia eu descobri muitas coisas que eu não sabia sobre os meus amigos e, mesmo com abertura, não consegui contar tudo que eu queria. Então, eu comecei a escrever aqui no começo desse ano. Eu poderia contar um monte de coisas, mas vou começar de onde eu acho mais apropriado: quando eu me descobri gay. Outro dia eu tive que ouvir do meu irmão que sou menos homem do que ele e meu pai por ser gay e isso me machucou muito. Ainda mais por conhecer outros LGBTQIA+ e saber como essa trilha de autodescobrimento é difícil e solitária. Isso me fez refletir bastante o quanto eu sou sortud...
Geralmente, encontros têm padrões dependendo das pessoas que estão envolvidas nesse encontro. Se forem duas pessoas com gostos parecidos, que bom, fica mais fácil. Elas podem ir a um museu, por exemplo, ou ir para uma festa neon em um beco escuro insalubre no centro da cidade. Mas, os gostos de uma pessoa não vêm impressos no rosto dela. Se a pessoa não disser nada e acatar tudo que for sugerido, o encontro vai ser do jeito que a outra pessoa sugerir. E foi isso que aconteceu quando eu decidi sair com um menino autista. Vou sempre me repetir e dizer que tudo começou quando eu terminei meu relacionamento, mas é a verdade. Eu sempre me escondi sobre ser gay e atingi a maioridade no meio da pandemia de corona vírus. Quando os protocolos de proteção foram flexibilizados, eu comecei a sair. Saí com um cara e depois com o meu ex e não saí com mais ninguém por quase dez meses. Quando nós terminamos, decidi que ia sair com pessoas diferentes e experimentar, até que eu decidi...