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O incêndio que nós terminamos ❤️‍🔥

Ontem eu tive uma grande reflexão em relação aos meus relacionamentos amorosos. Sobre como hoje em dia é tudo sobre pegar, usar e largar. Continuo me sentindo usado, mas consegui expressar o que eu senti. Eu sei que também usei as pessoas, porém, eu tinha a intenção de construir uma relação, no mínimo de amizade e companhias para rolês. O mínimo que a gente espera de outra pessoa.

    Criei coragem e mandei mensagem para o Cauã. Eu sei que ele está morando aqui em Americana e quis esclarecer nossa situação para, quem sabe, voltar a manter contato. A gente saiu em outubro e foi muito divertido, pelo menos para mim.

    Foi um dia antes do 1º turno das eleições. Era um sábado e eu estava muito exausto por causa dos meus parentes bolsonaristas, que me enchiam a paciência desde cedo. A gente deu match no Tinder pela manhã e conversamos o dia inteiro, com a conversa evoluindo de um jeito muito agradável, mas ali eu já estava pisando em ovos sem perceber. O Cauã é sete anos mais velho do que eu, então, conscientemente, eu achei que deveria ter uma postura mais madura. Talvez eu realmente tivesse, mas não seria um problema se eu não fosse. Ninguém pode me obrigar a ser o que eu não sou.

    Mas, tudo bem. Não sei se eu consegui atrair o interesse dele de verdade ou se era apenas a vontade dele de sair com alguém. Tudo corria bem até que, nove da noite, ele me mandou mensagem me convidando para sair. Eu sou uma pessoa que gosto de ter as coisas sob controles e bem programadas, mas decidi ir, apostando que seria uma boa ideia arriscar e fazer uma coisa nova.

    Chamei um Uber e fui. A gente foi no Dolores. A primeira vez que eu fui lá. Estava completamente fora da minha zona de conforto, mas não me arrependo. A gente bebeu, conversou, deu risada, trocamos experiências, dançamos, nos beijamos no meio da pista, depois ele me levou para casa de carro e a gente se pegou no carro dele. Hoje, eu penso se ele me chamou apenas com o fim da pegação, mas eu também queria. O que eu não gosto é sair, pegar e depois tratar como se não tivesse conhecido.

    Esse pensamento me deixa para baixo, mas o sentimento de “centro das atenções” e de desejado não pode ser tirado de mim. Querendo ou não, eu me senti muito especial naquele dia. Era tudo sobre mim e eu amei. Pelo menos uma vez na vida a gente precisa de um momento como esse e, naquele momento, eu precisava.

    No outro dia, o Cauã voltou para sua casa em Minas, dizendo que voltaria para morar definitivamente em Americana no fim do ano. Continuamos o contato, trocando reels no Instagram e conversando. Até que, de repente, ele sumiu. Não me respondeu mais.

    Eu continuei acompanhando a vida dele pelo Instagram e, passados esses dois meses, tomei coragem para mandar mensagem. Ele me respondeu, dizendo que não se achava legal, querendo me distanciar, mas é aquele ditado “quando é bom, a gente quer de novo” e eu queria sair com ele de novo, mesmo tendo ficado dois meses. sem se falar. Ele insistiu, assumindo que me ignorou porque sentiu que eu estava gostando dele.

    Sim, eu estava gostando dele. Era um homem, de 28 anos, 1,90m, estudado, fez mestrado no Canadá, tinha independência financeira, tinha um papo bom e, o principal na minha opinião, me fez me sentir muito especial por uma noite. É claro que eu estava gostando dele. Não me faltavam motivos para isso.

    Como o bom ator que sou, eu me fiz de desentendido. Falei que tinha gostado de sair com ele, porque eu tinha me divertido muito, mas que não tinha sentimento envolvido, apenas a expectativa dele voltar e a gente repetir a saída.

    A gente entrou em acordo e ficou tudo em pratos limpos, mas acho que a gente não vai se encontrar novamente.

    São aquelas pessoas que aparecem, mudam a nossa visão de mundo e depois vão embora. Fica um gosto amargo quando eu lembro, mas o ensinamento que eu tive vai ficar comigo para sempre. Eu sou uma pessoa interessante, eu sou bonito e eu sou especial. Eu mereço o meu momento especial.

    Eu apaguei a última chama que sustentava o incêndio que eu sentia por ele. Talvez um dia a gente se reencontre.

**Texto originalmente escrito em 08 de janeiro de 2023.

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